quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Somewhere (in France), Sofia

Ela me levou ao cinema. Anglais sous titré en français. Le langues se mélangent. Presto atenção nas cores e nos enquadramentos. Sofia Coppola, Somewhere. Gosto da estética dela. Mas eu esperava mais, Sofia

[O pedido da minha irmã por indumentárias de ballet me levou a Saint-Lazare e, mais tarde, a um pequeno cinema nas proximidades. Em cartaz: Somewhere, Sofia Coppola. Já tinha visto o banner no metrô. A sessão é apenas às 19h45. Sobra tempo para uma volta no quartier. Faço uma pequena pausa na Marionaud. Paris, de Balenciaga, sai pelo mesmo preço que vi nos Champs Elysées. Deveria esperar algo diferente?

Depois, Fenac. Entre tantos livros, filmes e produtos eletrônicos, L'été (O Verão) de Albert Camus me pega em cheio em pleno inverno. "Il n'y plus de déserts. Il n'y a plus d'îles. Le besoin pourtant s'en fait sentir (...) Les villes que l'Europe nos offre sont trop pleines des rumeurs du passé". A poesia de seu texto me captura. Eu aprenderia francês só para lê-lo. O livro é uma viagem da Argélia à Grécia, passando pela Provença - diz a orelha. E eu quero viajar com Camus, sempre estrangeiro.

Já são 19h30, hora de voltar ao cinema. Só alguns passos e estou lá. Somewhere in France. Alí ao lado.]

Vejo um carro dando voltas numa pista circular. Um homem desce do veículo. Johnny Marco, seu nome. É ator. Vive uma vida de prazeres fáceis - gêmeas no pole dance, mulheres prontas para entrega. Cada cena é um mergulho na sua vida, John. E você é um nada. Mais que nada, como admitiria mais tarde ao telefone.

E a sua filha, Johnny? Ela é bonita patinando sobre o gelo. Ela dança ballet. E a vida parece fácil como um grand-jetté, mas dói. Você não vê a dor no sorriso da bailarina. O cotidiano é assim. Nem sempre tem diálogos geniais. Nem mesmo o melhor posicionamento de câmera. A vida acontece enquanto nos preparamos para ela. Iluminação, ok. Cenário idem. Tudo pronto? Gravando. E a próxima cena, qual vai ser?

Um pai mergulha numa piscina com a filha. Embaixo d'água, eles vão tomar chá. É o melhor momento do filme, eu achei. Sim, há o imprevisível. Would you like some tea? Underwater? Para os ouvidos, I'll try anything once, Strokes. As trilhas sonoras de Sofia sempre me ganham, até fazem valer o ingresso. De repente, Phoenix. Qual é a música? Não lembro. Luma, sim. "Lisztomania. Think less but see it grow like a riot, like a riot, oh". E sobem os créditos.

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