quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ano Novo em Paris

Saímos abarrotados amarrotados do avião para aquele endereço na rue Claude Vellefaux, na Republique. O Ano Novo nos levaria alguns quilômetros mais longe, ao les maires de Lilas, onde eu e Luma, minha companheira de viagem, teríamos uma das refeições mais esquisitas de nossas vidas. Para a entrada, coquille saint-jacques (uma espécie de marisco) cru com molho de frutas vermelhas – mirtilo e groselha.

Como prato principal, boudein blanc e funghi, servidos com bolinhos de legumes feitos ao vapor. Depois foi a vez da salada, seguida de queijos variados. Por fim, a sobremesa: pequenos docinhos com sabores que iam do côco às frutas vermelhas.Toda a refeição foi banhada a vinho tinto e o melhor champagne que já tomei: um rosé, Juget Brunet. A essa hora, os franceses chegavam aos Champs Elysées com suas garrafas de champagne e vinho.

Mais de 350 mil pessoas lotaram os campos para uma virada sem fogos de artifício. A possibilidade de atentados contra os estrangeiros fez com que a Prefeitura decidisse assim. O barulho dos fogos poderia ser aproveitado por quem quisesse soltar bombas, justificaram. No dia seguinte, uma francesa chamada Monique lamentaria o fato do 28° andar de seu apartamento em Belleville. Mas mais que ficar assustados, os franceses foram às ruas para receber 2011.

No metrô de Goncourt um homem permanece atrás de uma barraca de frutas. Ele fuma um cigarro distraído enquanto observa os passantes que se dirigem a uma festa qualquer. Apesar de ser a entrada do ano, a maioria das pessoas usa roupas pretas. Fora das casas a temperatura é de -3°C. Dentro, os parisienses ficam confortáveis a 20°C.

Ainda assim, em Paris é possível ver jovens pulando ao som de uma batucada incomum no meio da rua, num local com vista para a Tour Eiffel – mesmo que seja difícil avistar a torre por culpa da neblina. Aqui é também um dos poucos lugares do mundo onde uma briga de rua pode terminar com baguetes sendo brandidas como espadas. É também onde, ao ligar a televisão num sábado à tarde você dá de cara com uma moça de cabelo preto espetadinho e blusa púrpura brilhante apresentando o noticiário internacional.

A moda espreita em todas as ruas e as jornalistas da TV, claro, não ficariam de fora. Muitos parisienses mudam de guarda-roupa a cada estação e, por isso, não é difícil encontrar peças em bom estado nos brechós. De fato, um dos hábitos mais comuns dos parisienses é trocar o que eles chamam de bonnes adresses – endereços que podem ser de boas costureiras ou de lojas de decoração.

Em frente ao n° 4 da rue Vellefaux passam jovens bem vestidos o tempo todo, mas nenhum parou para perguntar o que três brasileiros estavam fazendo no meio da rua, gritando para o vizinho do segundo andar – que possivelmente estaria acordado. A luz de seu apartamento era a única acesa em todo o prédio. É madrugada do primeiro dia do ano. Trancados do lado de fora de casa, os estrangeiros vão dormir na casa de une vrai amante francesa.

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