quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Paris com até 50% de desconto

Desde quarta-feira toda Paris está com até 50% de desconto. Por toda parte, as lojas exibem placas orgulhosas onde se lê « Soldes ». Tradicionalmente na segunda semana do ano, les magazines entram em promoção, especialmente as de vestuário e produtos de beleza. No Eurocentres, as meninas e até mesmo os meninos, faltam ao café com discussão ou ao tutorat para conferir as ofertas.

Nas imediações das Galeries Lafeyette, as ruas são tomadas pela multidão de pessoas, todas ávidas pela próxima compra. Dentro das lojas, a situação é impossível. Na H&M, uma moça se prepara para pegar um vestido. Era lindo e seria seu. Não, outra chegou primeiro : « Je le prends ».

Na Zara, os clientes se acotovelam em busca da melhor aquisição. Para alguns, os que procuram o mercado de luxo, esta é uma boa oportunidade. Nas Galeries Lafayette, os descontos vão até 30%. Mesmo assim, nem todos podem pagar 300 euros num par de sapatos. Para a maioria dos parisienses, basta permanecer anônimo, porém elegante.

Outros, por outro lado, vêem em Chanel uma espécie de filosofia de vida. Os franceses inventaram o luxo. Por que não deveriam pagar por ele? Nas ruas, mesmo quem escolheu roupas feitas por anônimos, carrega um visual clean, simples e chic. Há os moderninhos também.

Os cults – estes aproveitam o fato de que algumas livrarias entram nos soldes. (Perto da estação Goncourt adquiro um livro sobre a aventura da imprensa francesa por apenas 5 euros. Lembro da frase que se lê na sede do Le Monde, que diz que a morte da imprensa ainda não foi escrita). Há também os alternativos – dentre a variedade de tribos e estilos de Paris. A seu modo, cada um deles escolhe as peças que mais lhes convém dentre aquelas das lojas em soldes. Silenciosamente dizem para uma outra vestimenta: c’est demodé.

Em Paris, mesmo a moda é tida como ultrapassada. L’air du temps, como chamam, é aquilo aparentemente em voga. Ao menos na teoria. A expressão veio depois do sucesso do perfume homônimo de Nina Ricci. Agora, há quem diga que confere o l’air du temps somente para saber o que não usar. Esses franceses.

E as senhoras e moçoilas cheias de sacolas lotam o metrô. C’est demodé. C’est déjà passé. E saem carregando as embalagens pomposas das lojas enquanto, num dos batentes da estação République, uma moça com o rosto embalado por um véu pede, « s’il vous plaît », alguns trocados.

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