Não importa o fato de ter ido ao Eurocentres Paris um dia antes do inicio das aulas, na segunda-feira pela manhã você vai tomar a direção errada ao sair da estação Odeon do metrô. Somente até que perceba, claro, que foi parar numa tal rue d'école de medicin ao invés da rue de l'ancienne comédie. Pouco vale ter levantado antes mesmo das 7h da matina, você vai chegar em cima da hora. E vai se atrapalhar no teste de compreensão oral. Vai esquecer muitas das regras de gramática, mas até que vai falar direitinho na prova de expressão oral.
Vai andar Paris de cima a baixo a procura de um modem 3g, de um chip de celular, de um passe Navigo, um souvenir para os amigos, um shampoo (o seu foi jogado no lixo pela revista no aeroporto. Não se pode levar frascos com líquido com mais de 100ml. Vai rir quando ouvir de um carioca que a dona da casa onde ele está hospedado lhe recebeu sem calcinha. E que mesmo as portas do banheiro são destrancadas. Outra estudante vai falar que a sua anfitriã tinha programado receber um homem naquela noite, mas que "respeita muito os intercambistas".
Habituada com seu próprio computador, vai se ver praguejando contra o teclado francês - e depois vai agradecer o fato de que, ao menos, ele tem cedilha e alguns dos acentos. Mesmo assim, nas raras conversas ocasionais com os amigos nos programas de bate papo, vai cansar de procurar o circunflexo e vai digitar tudo sem acento mesmo. Isso quando se preocupar em buscar o posicionamento das letras, nem sempre o mesmo do teclado brasileiro.
Vai ouvir histórias sobre a infância de uma menina tailandesa que comprava o próprio café da manhã antes de ir para o colégio. E de um iraniano que vai falar sobre a situação das mulheres em seu país. Ao seu lado, uma brasileira vai suspirar baixinho em português sobre a beleza das diferentes culturas. Algum tempo depois vocês vão confessar uma a outra que adoram literatura, mas que, aos dez anos, a loucura de ambas era mesmo por Harry Potter.
Ela faz parte de um grupo de degustadores de vinho em Fortaleza e mal espera por provar as melhores safras da França. Na sala, todos concordam sobre experimentar os vinhos franceses. No mercado, uma boa garrafa pode ser adquirida por menos de cinco euros. Um côte du rhone sai por menos de €4 - não é muito forte, mas não chega a ser doce. É ele que tem me acompanhado durante as refeições do almoço e jantar.
No inverno, o álcool, ao invés de embriagar, serve para esquentar o corpo - o que dificulta a tarefa de ficar bêbado. Mesmo assim, ao sair à noite, vê-se que isso não representa uma grande barreira para os jovens. Nas casas francesas, ao invés de água, é oferecido vinho ou cerveja. Aliás, um de meus divertimentos é provar tantas novas marcas quanto conseguir. Uma Heineken de 1l sai por menos de €2 no mercado. De resto, sei pronunciar o nome de poucas. É muito o que a pronúncia me escapa, mas como dizem: saúde e fé, le reste on cour après.
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