quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Em Paris, até sorvete no inverno

Que o frio do inverno não nos impeça de provar dos melhores sorvetes de Paris. Saltar na estação de Abbesses e dar de cara com uma das lojas Amorino, então, é um convite para se entregar aos prazeres do gelatto. Para Luma, foi o melhor sorvete de iogurte. Para mim, um excesso que me deixou mal durante toda a quarta-feira. Dizem que a sorveteria é uma das melhores da cidade. A disputa pela preferência dos parisienses é entre o sorvete italiano (Amorino) e o francês (Berthillon).

Na Itália, reza a lenda que toma-se muito gelatto. A temperatura do sorvete ajuda a suportar o frio do inverno. Em Montmartre, por outro lado, o frio nos ataca independente de nossa pequena extravagância. No dia seguinte faria mais calor e hoje, na quinta-feira, os termômetros passaram a marcar 9°C - um verdadeiro luxo para os maios friorentos. Muitos deram adeus às blusas térmicas ao menos por um dia. E de um jeito quase parisiense, desdenharam do clima: nem está tão frio assim...

Talvez seja esta uma forma de nos lembrar dos sorvetes. A primeira unidade da Amorino foi aberta num passe ousado. A locação escolhida pertencia a uma Häagen-Daz perto do que viria a ser a maior concorrente dos italianos: uma Berthillon. A ousadia, no entanto, deu certo. Isso porque a sorveteria francesa fecha durante o verão e, na estação, produz apenas para clientes selecionados - restaurantes e hotéis. Com isso se propõem a manter o alto padrão da marca.

Os turistas desavisados que procuravam pela Berthillon, então, terminavam por se render à Amorino. E a casa cresceu; já conta com oito unidades em Paris e outras vinte espalhadas pelo mundo. Além dos sabores tradicionais, são servidas misturas bastante inusitadas - a exemplo do sorvete de omelete da Noruega. Fui de chocolate com baunilha - nada ousado, mas nem por isso menos delicioso. E bonito: seguindo a tradição da Emilia Romana, de onde vieram os fundadores da marca, os sorvetes são servidos em forma de flor ao invés de em bolas.

As mesmas rosas geladas podem ser encontradas no Gelati d'Alberto. O agrado ao paladar, nesta casa, vem dos ingredientes que o maître glacier encontra na feira. Sempre há alguma novidade.

Já a Berthillon é a mais tradicional casa de sorvetes francesa. Ela foi tida inclusive como uma das dez melhores sorveterias do mundo. Palavras de Nathaniel Lande, do The Ten Best of Everything - The Ultimate Guide for Travelers. Apesar da variedade de sabores, o de fraises de bois (morangos silvestres) é considerado o destaque da casa há meio século. O de caramelo também é outra boa pedida.

Aos amantes do chocolate, Christian Constant é uma boa opção. Chocolateiro e patissier, muitos de seus sorvetes trazem cacau na fórmula - de chocolate com açafrão ou aromatizado ao chá de jasmim.

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